sexta-feira, 14 de abril de 2017

Se há de realizar

28.03.2017

a falta de palavras
não quer dizer que desejo silêncio
pois o que não me falta
são sentimentos a serem gritados
a plenos pulmões ares afora

mas toda a mágoa que me persegue
e toda a ambição de expectativa para o futuro
me recuam de toda séria demonstração
de afetos verdadeiros
e de uma porta aberta
para explorar o novo mundo

faço apenas uma janela
e aprecio a vista
(da minha zona de conforto)

domingo, 22 de janeiro de 2017

Quando não sabe o que sentir, apenas sente

   Comecei a escrever esse texto e até tinha como intenção ser um quê de esperança no rumo que a minha vida está tomando. Porém, não pretendia comentar nada inteiramente em primeira pessoa ou relatando experiências (quase) específicas. Mas aqui estamos com uma mudança de ideia e agora que isso foi esclarecido, prosseguimos.
     Hoje foi um dia em que a loucura falou mais alto por boa parte do dia. A paranoia é algo interessante, pois não importa o quanto você lide com ela, em algum momento de distração ela vai lá e PA tarde demais, já tomou conta. "vai lá e PA" não é exatamente a melhor explicação do mundo, uma outra maneira de se colocar seria explicando como funciona a ansiedade. Até parece algo simples de fazer porque depois de um tempo todo o processo desde o ponto onde a ansiedade em questão começou a se manifestar até o ataque de pânico genuíno se torna muito bem conhecido. Mas a mera tentativa de explicar o que acontece já gera uma nova crise. Então, um pedido de perdão pela escrita aqui, mas manterei o uso de "vai lá e PA".
     Uma pergunta para continuar o raciocínio: "mas por que logo hoje foi uma loucura, hein, Diana?". Bom, ao longo da vida passamos por inúmeras mágoas e cometemos alguns (ou muitos) erros. E é esperado que se aprenda com os erros, a superação ocorre justamente quando você para e percebe "ah, beleza, foi isso aqui, próxima vez já sei". Mas então chega essa tal de próxima vez e a situação se repete e o cérebro vai lá e PA. Considero como uma desilusão, de certa forma. No sentido de acreditar plenamente em algo que acabou não sendo verdade. Quando isso acontece, não sei se rio ou se choro. Em todo caso acabo fazendo os dois. Tragicômico esse negócio todo.
     Nos últimos anos da minha vida tenho lidado com pessoas que acredito convictamente ter uma relação recíproca. No entanto, cada um desses relacionamentos, seja pura amizade ou romance, se mostra em um fim onde eu recebo a desilusão de que nunca foi recíproco. De que, na verdade, todo o carinho e atenção que eu pensava estar partilhando nunca foi percebido. Acontece uma vez, a gente supera. Acontece duas, a paranoia manda uns sussurros ocasionais. Acontece uma terceira e a paranoia toma conta. Todas as relações já tidas e sendo vividas atualmente começam a passar por uma análise extremamente minuciosa procurando por evidências de onde a pessoa poderia chegar na mesma conclusão que as outras. Não sei vocês, mas vejo isso como algo nem um pouco saudável.
     Tudo ao redor começa a ser sugado nesse buraco negro (gosto de usar diversas metáforas em meus textos, apesar de nunca explicá-las, mas aqui faço questão de dizer que sim, estou usando "buraco negro" como metáfora para "paranoia") e então a gente começa a pensar "o que estou fazendo errado? onde posso mudar? como vou fazer isso? será que peço desculpas por tal coisa? será que preciso fazer isso? será que deveria fazer aquilo?". Tantas questões borbulhando e tantas relações sendo analisadas acabam levando à famosa tela azul.
     Claro que, alguma hora o pânico vai dar uma acalmadinha. Hoje, no caso, quando consegui alcançar a calma foi o momento em que iniciei a produção desse texto. Comecei então a pensar que nunca, em qualquer relação que participei, pedi para alguém mudar qualquer pequeno detalhe que fosse de sua própria pessoa/personalidade. Sempre mostrei interesse em participar dos interesses daqueles ao meu redor (apesar de que, aparentemente nunca fazendo as perguntas certas). Parece um pouco injusto impor uma cobrança comigo mesma para fazer diferente em relações futuras.
     Talvez fosse ingênuo da minha parte pensar que o amor poderia conquistar qualquer coisa e gostaria muito de poder continuar acreditando nisso. Lendo e relendo essa frase vejo que esse "talvez" do começo deveria ser substituído por uma certeza, porém, por questões filosóficas, vou manter a dúvida. A verdade é que meu coração cansou de ser partido repetidamente, mas por algum motivo misterioso e (possivelmente) inusitado, o universo continuando mandando forças e motivação para que eu continue.
     Alguns anos atrás, tinha como hobby observar o mundo sem efetivamente participar dele apenas para teorizar sobre o significado de cada vida que passava diante de meus olhos. Depois de muito tempo de observação (17 anos, para ser mais exata) decidi que era hora de participar um tantinho desse mundo e as teorias acabaram ficando em um estado de limbo. Não esquecidas, não sendo lembradas, apenas esperando por um destino final. Algumas mais simples até foram testadas ao longo do tempo. Contudo, gostaria de destacar aqui uma teoria específica: a de que cada pessoa tem um motivo para estar nesse mundo ou talvez até um conjunto de motivos. E constantemente ficava me perguntando sobre esses motivos e quais seriam.
     Coincidentemente (o universo é muito engraçado nas coincidências que planeja), ontem cheguei em casa com uma frase de Gandhi na cabeça: "Whatever you do in life will be insignificant, but it is very important that you do it". Traduzindo livremente aqui, ela lê: "O que quer que você faça na vida será insignificante, mas é muito importante que você faça". Na hora em que ela estava na minha cabeça, não consegui lembrar de onde era, de quem era e não fazia a menor ideia de porque foi parar em meus pensamentos (esse último quesito não sei responder até agora, mas a gente releva ele). Então, obviamente, fui até o mestre Google.
     Acabei descobrindo que era de Gandhi e que conheci ela através de um filme onde o personagem principal a utiliza. Inclusive, há um monólogo onde é falado sobre o significado da vida para Gandhi o qual adoraria reproduzir inteiro aqui ou mesmo escrever na testa para que todos pudessem ver, mas por ora vou ater à parte que me chamou um tantinho mais de atenção. Esta sendo a frase: "He understood that enjoying life should be of much greater concern than understanding it". Novamente em uma tradução livre, temos então: "Ele entendia que aproveitar a vida deveria ser de muito mais preocupação que entende-la".
     A aleatoriedade com que esse monólogo apareceu em um momento que eu não necessitava dele ao mesmo tempo em que logo antes do momento em que mais precisaria talvez não tenha sido uma aleatoriedade afinal. Apesar de que nunca irei parar de questionar a vida, o universo e tudo o mais, gosto de acreditar que o universo sabe o que está fazendo (mesmo que ele esteja vendo isso agora e rindo da minha cara). E enquanto os males vão sendo superados, a gente pode agradecer as coisas boas que ainda permanecem. Até porque tenho zero coisas a reclamar sobre esse senso de humor maravilhoso com o qual fui presenteada.

segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Per.se.ve.ra.ção

E tudo isso apenas para dizer que

Então, mais uma vez, se depara com aquela inclinação do espírito à alguma ação
Porém, que ação é essa que ali se encontra sem se mostrar nitidamente?
Lembra-se então daquele curta-metragem que há pouco assistiu,
Aquele pequeno pássaro afundando-se na areia e deixando que a onda o atingisse por completo.
Como queria ter todas as suas angústias l(e/a)vadas para longe.

Assim, a motivação de seguir o dia passa a ser
Encontrar a cavidade que una todos os pensamentos
Para que, numa estranha ideia de purificação,
Sejam todos igualmente l(e/a)vados.

já não sei mais o que fazer comigo.

Embora, ainda,
Que a cada perdição,
Uma nova conquista.

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

E()ação?

      No desenvolvimento de um trabalho dessa matéria maravilhosa que tem sido Filosofia da Educação, lendo sobre a educação atual e métodos pedagógicos, eis que sobrevêm um exemplo do autor (em questão: Moacir Gadotti), do humano que surge e surpreende nas condições mais desfavoráveis enquanto que há humanos que possuem todas as melhores condições para aparecer e fazer a diferença, mas não cumprem com essa expectativa. Tal exemplo e situação fazem refletir sobre o porquê isso ocorre. Em seu texto, Gadotti defende uma pedagogia baseada no diálogo e discorre sobre como a dúvida é um ato libertador na medida em que torna um indivíduo consciente de si e de sua existência. Inclusive, coloca esta como uma tarefa do próprio educador: duvidar do sistema educacional para investigar e pôr em prática todos aqueles "e se isso fosse diferente".
      O foco principal das discussões tem sido sempre em relação à escola: qual a carga horária de cada matéria, qual a melhor maneira de separar os conteúdos, qual a melhor maneira de dividir os alunos, etc. Quando o verdadeiro ponto de partida deveria ser o próprio aluno. Deveria-se levar em questão que cada aluno aprende de maneira diferente, que nem todos têm interesse por todas as matérias, que a educação não rende ao obrigar o aluno a fazer algo que ele não quer e ameaçar puní-lo caso não cumpra com tal obrigação. Esse tipo de atitude e empreendimento torna o humano condicionado a sentir o desagradável como meio para qualquer fim que escolher. Logo, acaba propagando essa ideia ao próximo mesmo quando não se torna um educador.
      E, nesse processo de tornar-se educador, para alguém que realmente está interessado em fazer um mundo melhor, é necessário passar por um processo de desconstrução. Isto é, desconstruir o pensamento de que todos devem passar pelo mesmo sistema, exatamente da mesma maneira e aprender a mesma coisa sempre. A educação deve partir do aluno e do interesse deste. Ao trabalhar com uma turma, isso parece não ser possível, porém, é apenas um caso de interesse daquele que educa de conhecer seus alunos como indivíduos além de como um grupo. Não se deve pensar como impossível a ideia de encontrar uma maneira de ensino que agrade tanto o individual quanto o grupo, apenas deve-se manter em mente como algo que não irá seguir um padrão. A educação é sempre a partir do diálogo, mas ela também estará em constante desenvolvimento, nunca permanecerá estática.
      A importância da dúvida filosófica ser apresentada aos alunos é para que estes se entendam como seres humanos e existentes, assim ajudando-os a encontrar uma maneira em que possam igualmente transmitir a dúvida dentro da área na qual têm interesse. Aquele que surgiu do nada, na verdade, não surgiu do nada. Ele emergiu da aceitação de sua realidade; da investigação da dúvida sobre qual caminho gostaria de seguir e o que gostaria de mudar; e, também, das tentativas realizadas para atingir seu objetivo. Enquanto que, aquele que não cumpriu com as expectativas não o fez porque estava apenas seguindo o que lhe foi imposto e nunca duvidando pois todos seus questionamentos foram reprimidos pelo medo da punição. Gadotti também defende a dúvida como benéfica visto que ela ajuda a encontrar e decidir o que é o essencial. Desse modo, a pessoa  encontra algo para que possa agir determinadamente em função disso.
      Uma vez que deseja-se a mudança de um sistema (educacional), é indispensável que todos os outros (social, político e econômico) mudem juntamente. Entretanto, não se pode esperar que isso ocorra de um dia para o outro. Talvez utilizar-se do otimismo na questão educacional pareça um pouco insensato, mas realmente é um processo que requer tempo e paciência. E é igualmente importante que não se perca a esperança. Ao prestar atenção nas eventualidades mundanas, consegue-se perceber mudanças sutilmente ocorrendo; mudanças as quais pode-se tentar auxiliar para seguir o melhor rumo possível.

quinta-feira, 3 de novembro de 2016

23/03/2015

   Ao "acordar" para um novo dia - digo acordar porque foi como se estivesse abrindo os olhos pela primeira vez no dia, mas na verdade já estava quase indo dormir -, primeiro pensou nos amigos dos quais sentia falta, depois no trabalho, depois no vinho que tanto desejava estar saboreando. Pensou e pensou durante vários minutos e, então, sentiu, sentiu tudo com um baque muito forte, quis chorar. Há algum tempo, estava muito confusa com tudo que estava acontecendo. Estava duvidando muito. De tudo. Num impulso, soltou o coque que prendia seu cabelo na esperança de que fosse sentir uma certa liberdade ao tirar aquela leve pressão na cabeça, porém o que estava incomodando no consciente não seria resolvido com um simples soltar de cabelos. Os jogava de uma lado para o outro, brincava com a maciez em que estavam, lembrou quando tirou a conclusão de que o cabelo reflete no humor: quando está feliz, ele fica macio, sedoso, com um brilho diferente; quando triste, fica estranho, seco, apontando para todos os lados, uma bagunça bem louca. Sorriu rapidamente porque percebia agora como estava errada, a tristeza daquele momento não estava refletindo nem um pouco na aparência. Talvez isso fosse bom, mas todas as indicações diziam que era ruim. Se assim está, talvez porque já tenha acostumado? Difícil dizer. Sempre há possibilidades.
   O ambiente do quarto com livros em cima da cama e escrivaninha, mochila apoiada na cadeira, uniforme igualmente na cadeira, mas também no chão e em cima da cama, era uma bagunça confortável. A trilha sonora do momento a fazia sentir... Nostálgica? Não necessariamente ruim, nem, tampouco, bom. Também não exatamente diferente, já sentira antes. Apenas incomum. Raro. Pensava em tudo que estava acontecendo em sua vida no momento e, sem nem concluir esse pensamento, pensava que tinha muito tempo para pensar. Gostava de pensar, mas sentia que às vezes isso atrapalhava. Atrapalhava o que? Também tinha que pensar sobre. Atrapalhava suas decisões.. Talvez.
   Queria entender o que era melhor para ela, mas sempre que chegava a alguma conclusão, aparecia uma voz, bem baixinha, quase inaudível jogando perguntas e a fazendo duvidar novamente. Ficava indignada com o porquê tinha que duvidar tanto, "para com isso mulher, só segue a vida" era o que pensava e em seguida ria sozinha. Seguir a vida era difícil, a vida joga muitas coisas ao mesmo tempo, não dá de se agarrar a todas elas, decisões precisam ser tomadas e muitas vezes, decisões que não são muito agradáveis. Decisões que podem ser terrivelmente desconfortáveis. Tem aquela fala de um episódio da série que gostava de assistir que pode parecer um pouco de conforto: "às vezes você sabe que é um erro, mas não sabe que é um erro então você precisa cometer o erro para saber que era mesmo um erro".

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

Não vou mais correr (?)

  "More about college" era o título inicial a esse texto, entretanto, no meio do caminho, se tornou um texto não sobre a faculdade, mas sobre a Filosofia em si. Logo, esse título deixou de ser adequado. Minha crença de que a filosofia não deveria ser institucionalizada é, na verdade, um tanto quanto supérflua. Ao mesmo tempo em que penso não ser correto a aplicação de obrigações como provas e trabalhos, o meio de discussões e ideias é também bem acolhedor. Apesar de que muitas discussões ficam limitadas no conteúdo de tal professor, é confortante saber que existem pessoas dispostas a entrar nesse mundo de teorização sobre a vida, o universo e tudo mais.

O longo caminho entre 23 de julho, 2015 e 26 de outubro, 2016

     Filosofia, sempre ela. Para fazer pensar, sentir, rir, chorar e em seguida rir por estar chorando sem saber o que realmente está acontecendo (muito menos o porquê). Uma reviravolta de tudo com tudo. E, como já disse um professor por aí: "Filosofia é como procurar um gato preto no escuro e de olhos vendados". Mas, acima de tudo, é a melhor coisa que eu poderia ter encontrado no caminho.
Apesar de o sistema acadêmico não ser a maneira a qual penso ser mais adequada para a apreensão da filosofia, ainda há uma parte a qual se aproveitar. Pode ser apenas uma maneira de auto-convenção a continuar cursando, mas não acredito tão firmemente que vá por esse caminho. No fim das crises, a única conclusão a que chego é a de que cursar filosofia foi a melhor escolha que fiz em todo esse tempo e em toda essa confusão. Constantemente nos vemos travados: nos estudos, no trabalho, na vida. E em todos esses momentos nos perguntamos "o que estou fazendo e por que estou fazendo", mas as respostas quase nunca chegam por falta de saber onde procurar. Mas é ela, ela é onde procurar.
O papel da filosofia nesse pensamento é que ela te dá as questões assim como também dá as respostas, mesmo que estas também venham como questões. É algo para se viver e sentir. Com ela você se descobre e talvez consiga encontrar meios para auxiliar outros indivíduos nessa busca. Há a possibilidade de que seja ingenuidade minha pensar que o autoconhecimento realmente funcione. Porém, creio que seja o passo necessário para tornar-se uma pessoa melhor,  consequentemente, transformando também o mundo. Talvez seja essa minha utopia.
     A única maneira de tentar entender é dialogando. Às vezes somos enganados por algo que achamos que queremos, mas na verdade é só alguma imposição de algo exterior a nós. Muitas vezes me encontro novamente perdida em meio a tantas coisas cotidianas, perguntando-me onde estão minhas crenças e motivações, perguntando-me como cheguei a esse momento, perguntando-me onde queria chegar inicialmente. E então me pego perguntando o por quê de estar perguntando tudo isso. É uma perdição ao mesmo tempo em que é um divertimento - onde não há palavras para explicar assim como há um toque de que a algum lugar estou chegando (a famosa esperança).

domingo, 2 de outubro de 2016

Sobre a existência (ou não)

(academicamente falando)

São muitas questões para poucas – ou nenhuma – resposta, tudo que se pode fazer é especular e investigar o que já foi falado. Analisar, adaptar, acrescentar, concordar ou discordar. Ao tratar de ontologia, têm-se questões sobre o ser, o sentido de ser e existir, o que é real e/ou possível a partir dos conceitos de entidade, objeto, propriedade, etc.

Um famoso filósofo (Husserl) acreditava que a experiência de ser humano nesse vasto mundo trazia dúvida. Isto é, se você tem uma teoria, você pode ter certeza dela até o momento em que a põe em prática. E, caso algo dê errado, surge a dúvida. Então, criou a fenomenologia como uma investigação filosófica para analisar os fenômenos da experiência. Investigação, esta, sustentada pela ideia de colocar todo conhecimento numa base científica e deixar de lado toda e qualquer suposição – feita através da experiência –acerca do mundo.
Apesar de fracassar em seu objetivo e causar discordância em filósofos posteriores sobre o que é e como funciona exatamente esse método, Husserl teve grande influência para estudo posterior de um de seus alunos: Martin Heidegger. Não obstante, Heidegger critica o trabalho de seu mestre pois diz que a fenomenologia deve ter como primeiro passo a investigação do conceito de ser. Também acredita que para estudar apropriadamente a questão do ser, esta deve ser tratada sem conceitos profissionais formados – tanto que, em seu livro Ser e Tempo, apresenta uma série de novos termos.
A intenção de Heidegger era esclarecer o verdadeiro sentido do ser e dizia que para isso ser possível, havia necessidade de avaliar o problema a partir daquele que o coloca: dasein. Este é um dos termos – e o principal – inventado pelo autor e que significa, literalmente, “existência”. Porém, é comumente traduzido como “ser-aí”. Pode-se entender por "homem" como: o ente que tem competência para duvidar e entender o ser, a partir do qual se dá a análise da existência. Em sua obra, discorre também sobre como viver a vida humana, afirma que parte da essência desse ser é ser temporal e que passou a existir num mundo cuja existência é anterior a “ele”. O ser é apresentado a todo um passado já definido, mas para o futuro só há especulações infindáveis.
Para tentar dar um sentido ao mundo ou, em outras palavras, definir sua existência, o humano ocupa seu tempo com diversas atividades – desde aprender uma língua, viajar pelo mundo e até mesmo manter relações – e nada há de errado nisso contanto que tenha em mente permanecer numa forma de existência autêntica. Isto é, viver tendo noção de que há a morte como um fim para o ser, não se pode ver e planejar além dela, assim alcançando uma compreensão mais profunda do que significa existir. Deste modo, não simplesmente realiza projetos como dá sentido aos mesmos, mesmo que não se saiba quando irá chegar o fim.
Esses pensamentos nos dão uma base, como que um método, para ter algum conhecimento acerca do que é aquilo que há. Nessa perspectiva, se existe alguma coisa, esse algo não existe de fato, é apenas uma realidade particular. Isso significando que: “eu” enquanto pessoa nesse mundo tiver a necessidade de que haja tal coisa - por exemplo, papel e caneta para anotar um recado -, estes irão existir. Mas, a partir do momento que perderem necessidade, deixarão de existir, tornando-se apenas lembranças daquilo que foi. Pode-se dizer que tudo o que é externo a mim existe desta maneira. Todas as coisas são apenas condições da existência do “eu”, elas existem visto que “eu” preciso delas.
Diante do costume da ideia de que “eu existo”, pensar na possibilidade de não ser real se torna algo desconfortável e confuso gerando perguntas tais quais: "Como assim eu não existo? Como isso é possível? Como eu posso não existir e ainda deixar de existir após a morte?". O “meu” não-existir é uma questão que não se mostra plausível, o conceito geralmente aceito para aquilo que não existe é o que não está no mundo material. Entretanto, ideias não são matéria e ainda assim se dizem existir, o que concluir então? Mesmo que possamos ter acesso e conhecimento a todas essas coisas que fazem parte da nossa realidade, isso não implica em dizer que elas existam de fato. Talvez esta seja apenas uma de muitas realidades possíveis.